
Teste
Ford Mustang GT conversível Premium 4.6 V8 automático – Fotos:
Luiz Humberto Monteiro Pereira/Carta Z Notícias – Foto do
Mustang no espelho: Marcello Monteiro de Carvalho Filho – Data:
13/11/2007 – A menção dos créditos é
obrigatória
Sem teto nem culpa

Sem preocupações "ecologicamente corretas", Ford Mustang GT
conversível esbanja charme e gasolina
por Luiz
Humberto Monteiro Pereira
Auto Press
San Diego/Califórnia/EUA - Nos salões
de automóveis de todo o mundo, veículos híbridos, elétricos ou
movidos por fontes renováveis de energia são destaque. Mas muita
gente não está nem aí para o tal "aquecimento global"
e boceja ao ouvir falar de motores com baixos índices de emissão. O
"ronquinho" tímido dos carros híbridos, que lembra o
dos barbeadores elétricos, também deixa muitos americanos
entediados. Mesmo na Califórnia, onde as leis anti-poluição são as
mais rigorosas e se vende mais veículos híbridos que em qualquer
parte do planeta, muitos ainda sonham com a chance de acelerar um
esportivo americano à moda antiga, ao som de um motorzão V8. É para
agradar quem não liga para argumentos racionais e é mais motivado
pela emoção que existem carros como o Ford Mustang GT conversível
Premium 4.6 V8.
Com 43 anos de estrada e tido por muitos como a representação
automotiva do "american way of life", o Mustang ainda
chama a atenção onde quer que passe. Isso num lugar onde é comum ver
Ferrari, Porsche, Maserati e Lamborghini dividindo um mesmo
engarrafamento. Um discreto adesivo no reduzido vidro lateral
traseiro ajuda a explicar parte do carisma que esse ícone americano
sobre rodas arrebatou desde que foi lançado, em 1964. A mensagem "Built with Pride. Quality is job # 1" -. algo como "Feito
com orgulho. Qualidade é o trabalho nº 1" - é assinada pelo
logo da Ford e por uma engrenagenzinha com as letras UAW, de Union
of Automotive Workers, o poderoso sindicato dos trabalhadores
automotivos americanos. No Brasil, onde muita gente nem desconfia se
o carro que dirige é nacional ou importado, pode parecer exagerado
patriotismo. Mas nos Estados Unidos, onde a maioria das casas
ostenta na fachada a bandeira americana - algo parecido com o que
ocorre no Brasil em época de Copa do Mundo -, valorizar a
procedência faz todo o sentido. Afinal, o Mustang possui um
predicado que nenhum esportivo europeu jamais vai ter: é ianque até
o último parafuso.
A quinta geração do Mustang, lançada no final de 2005 e que
ganhou novos opcionais esse ano, traduz bem esse "americanismo
nostálgico". Referências "retrô" se espalham
de um pára-choques ao outro. Na parte frontal, além do inexorável
pônei cromado a galope, dois pares de faróis redondos compõem o
visual "de época". Na lateral, um pronunciado sulco
vai da frente à traseira, contornando as caixas de rodas. As
lanternas, que ladeiam a marca redonda cromada do GT na tampa do
porta-malas, são retangulares e conservadoras, divididas em três "gomos"
verticais. As ponteiras cromadas de escapamento, como não poderia
deixar de ser, se insinuam sob o pára-choques. A capota retrátil é
simples, de vinil. Não esbanja tecnologia e demora 13 segundos para
se fechar totalmente, mas compõe o estilo esportivamente despojado.
Se por fora o Mustang atende saudosistas expectativas
estéticas, o interior também impressiona. São dois lugares reais a
bordo. Os bancos de trás - onde é possível levar com algum conforto
pessoas de, no máximo, 1,40 m - servem apenas para que possa ser
enquadrado como um "esportivo 2 + 2". O interior, todo
em couro preto, reforça o aspecto "old fashion". Apliques em aço escovado ressaltam o
volante de três raios, os mostradores e entradas de ar circulares e
também a alavanca do câmbio automático de cinco velocidades, que é
opcional. Já os airbags frontais e laterais são de série.
Mas a alma de um Mustang está sob o capô. Na versão GT
Premium, lá se encontra um V8 de 4.6 litros com bloco e cabeçotes em
alumínio, três válvulas por cilindro com comando variável e injeção
eletrônica seqüencial. A potência é de 300 cv aos 5.750 giros, com
torque de 44,2 kgfm aos 4.500 rpm. A Ford fala em consumo médio
urbano de 17 milhas por galão - 7,2 km/l - mas o cabriolet, em 1.200
km nas ruas e highways do Sul da Califórnia, rodou apenas 6,3 km/l.
Com um pacote intermediário de opcionais, que inclui o câmbio
automático de cinco velocidades, alarme anti-roubo e rodas de 18
polegadas em alumínio, entre outros, o preço nos Estado Unidos, com
as taxas inclusas, vai a US$ 39.800 - cerca de R$ 70 mil. A Ford at é
trouxe um ou outro Mustang para enfeitar os estandes nas últimas
edições do Salão do Automóvel, em São Paulo, mas diz que não
pretende vendê-lo oficialmente. Importadores independentes se
aproveitam disso e aceitam encomendas, por valores em torno de R$
185 mil.
Instantâneas
# O Mustang foi lançado na Feira Mundial de Nova Iorque
de 1964. Seu primeiro protótipo havia sido apresentado dois anos
antes, durante o Grande Prêmio de Watkins Glen, no estado de Nova
Iorque.
# Lançado numa época em que os grandes esportivos ianques eram o
Chevrolet Corvette e o Ford Thunderbird, ambos bem mais caros, o
Mustang se tornou um sucesso instantâneo. No primeiro dia de
lançamento, vendeu mais de 22 mil unidades.
# Menos de um ano e meio depois do lançamento, o Mustang atingiu a
marca de um milhão de unidades. Cerca de 6% dos carros vendidos nos
Estados Unidos em 1966 eram Mustang.
# O "appeal" do Mustang no mercado americano é tamanho
que existem várias revistas dedicadas unicamente ao modelo, além de
diversos sites na Internet. .
# O esportivo é produzido na fábrica da Ford em Flat Rock, no estado
de Michigan.
# Uma das mais famosas versões do Mustang foi a GT 500 de 1967,
preparada por Carrol Shelby.
# A Ford oferece o Mustang em 12 diferentes versões, que combinam
motores V6 e V8, carroceria cupê ou conversível e as opções de
acabamento De Luxe e Premium. Também existem as séries especiais Shelby GT 500, V6 Pony e GT Cal Special.
Ficha técnica
Ford Mustang GT conversível Premium 4.6 V8
Motor: Gasolina, dianteiro, longitudinal, 4.606 cc com oito
cilindros em "V" e três válvulas por cilindro com
comando variável no cabeçote. Injeção eletrônica de combustível
seqüencial. Blocos e cabeçotes em alumínio.
Transmissão: Câmbio automático de cinco velocidades. Tração traseira
com sistema de controle de tração. Direção hidráulica, do tipo
pinhão e cremalheira.
Potência máxima: 300 cv a 5.750 rpm.
Torque máximo: 44,2 kgfm a 4.500 rpm.
Diâmetro e curso: 90,2 mm X 90,0 mm. Taxa de compressão de 9,8:1.
Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra
estabilizadora, amortecedores hidráulicos e molas helicoidais.
Traseira com eixo rígido de três braços, barra Panhard e molas
helicoidais.
Freios: Discos sólidos e ABS nas quatro rodas.
Carroceria: Cupê conversível esportivo em monobloco com duas portas
e configuração "2+2". 4,76 metros de
comprimento, 1,87 m de largura, 1,41 m de altura e 2,72 m de
distância entre-eixos.
Peso: 1.605 kg em ordem de marcha.
Capacidade do porta-malas: 215 litros.
Capacidade do tanque de combustível: 60,6 litros.
Ponto a ponto
Desempenho – Ser excitante é a essência de um Mustang.
Nessa versão Premium 4.6 V8, o motor disponibiliza 300 cavalos aos
5.750 giros, com torque de 44,2 kgfm aos 4.500 rpm. Ou seja, não é
carro para passeios pacatos e sim para quem tem o pé direito bem
pesado. O câmbio automático de cinco velocidades com overdrive não
dispõe de opção de acionamento manual das marchas, que tornaria a
brincadeira mais divertida. A Ford não informa os dados sobre o
desempenho desse modelo. Nas retas da highway I-5, no trecho entre
Los Angeles e San Diego, foi possível atingir os 210 km/h, mas o
carro parece ter disposição para acelerar mais. O melhor zero a 100
km/h obtido ficou em 6,9 segundos. Nota 9.
Estabilidade – A eficiente suspensão traseira com eixo rígido
e a boa rigidez torcional - questão particularmente delicada nos
conversíveis - são proclamados destaques dessa quinta geração do
Mustang. O carro transmite sensação de segurança nas curvas e
frenagens. Eventuais abusos são corrigidos pelo sistema de controle
de tração, que pode ser desativado por quem preferir ter o carro
mais "na mão". Nota 8.
Interatividade – Embora ergonomia não seja propriamente o
forte do Mustang, os comandos são até bem posicionados. A alavanca
do freio de mão é um pouco alta demais, mas não atrapalha quando
abaixada. A capota aberta facilita as manobras, com a ajuda dos
espelhos generosos. Mas um sensor de estacionamento cairia bem. Nota
7.
Consumo – A Ford estima o consumo do Mustang GT conversível
Premium 4.6 V8 em 7,2 km/litro na cidade e 9,8 km/litro na estrada.
Mas o modelo testado num circuito de 1.200 km, sendo 2/3 estrada e
1/3 urbano, parecia bem mais sedento: bebeu um litro da puríssima
gasolina americana de 87 octanas a cada 6,3 quilômetros. Nota 6.
Conforto – Quem privilegia o conforto tem opções bem mais
interessantes. Na frente, os espaços são até amplos. Atrás, é melhor
evitar viajar. A suspensão, apesar de privilegiar a esportividade, é
bem calibrada e filtra as eventuais irregularidades com alguma
eficiência. Um dos "desconfortos" do Mustang é também
considerado um de seus atrativos: o característico e imponente ronco
do motor V8. O isolamento acústico não dá conta de tantos decibéis,
mas esse ronco é um "patrimônio imaterial" do qual
nenhum dono de Mustang abre mão. Nota 7.
Tecnologia – O modelo 2007 passou a oferecer novos
opcionais, como sistema de navegação - não disponível no modelo
testado -, rádio Sirius por satélite, espelho interno eletrocrômico
com bússola e bancos dianteiros com aquecimento e ajustes elétricos.
No opcional Message Center, aparecem num pequeno painel informações
sobre o funcionamento do veículo. Sistema de monitoramento da
pressão dos pneus, airbags frontais e laterais de série, além de ABS
nas quatro rodas, reforçam a segurança. Nota 8.
Habitabilidade – Como em qualquer esportivo, entrar no
Mustang exige certa elasticidade. Ainda mais nos bancos de trás,
inviáveis para quem tem mais de 1,40 m. Mas um Mustang não é mesmo
para levar crianças ou anões para passear e sim para acelerar forte,
de preferência com uma bela companhia no banco do carona. Afinal,
passear por aí num esportivo sem capota é sempre uma proposta
interessante. A bordo, a oferta e a funcionalidade dos porta-objetos
é restrita. O porta-malas, de exíguos 215 litros, também é coerente
com um esportivo conversível. Mesmo porque, levar muitas tralhas não
também combina com a lúdica proposta do modelo. Nota 8.
Acabamento – O interior do Mustang tem um aspecto rústico e
bastante "retrô", mas o acabamento segue um padrão
moderno, sem luxos mas sem rebarbas. Os revestimentos aparentam
qualidade e são agradáveis ao toque. Nota 8.
Design – Legítimo herdeiro das melhores tradições dos "muscle
cars" dos anos 60 e 70, o Mustang, nessa quinta geração,
resgatou parte do carisma dos seus anos dourados. Seu estilo é
clássico, másculo e sem maiores "frescuras", o que
agrada em cheio os admiradores. Uma das raras "frescuras"
é o sistema MyColor, que dá a possibilidade de mudar e recombinar as
cores das luzinhas do painel de instrumentos. As opções são verde,
roxo, laranja, azul, branco e vermelho. É possível também criar uma
cor personalizada, combinando as três cores primárias. Mais "fashion",
impossível. Nota 9.
Custo/benefício – A versão 2007 do Ford Mustang GT
conversível 4.6 V8 Premium tem preço básico de US$ 31.280, mais
taxas - que na Califórnia, ficam em 8,5%. Já a versão avaliada, com
câmbio automático de cinco velocidades, pneus aro 18 com rodas de
alumínio, bancos de couro com aquecimento, alarme antifurto, rádio
satélite Sirius e mais o frete, chega a US$ 39.800, incluídas as
taxas - algo em torno do R$ 70 mil. No Brasil, pode ser encomendado
por um valor de cerca de R$ 185 mil, que deixa o cabriolet bem menos
divertido. Nota 7.
Total – O Ford Mustang GT conversível 4.6 V8 Premium somou 77
pontos em 100 possíveis.
Impressões ao
dirigir
por Luiz
Humberto Monteiro Pereira
Auto Press
O Sul da Califórnia, de Los Angeles até San Diego, quase na
fronteira com o México, é uma região onde defender a natureza está na
moda. Por cruel ironia, o local foi recentemente castigado por
incontroláveis incêndios que deixaram o ar quase irrespirável. Antes do
fogo, foi lá que o Mustang conversível ganhou a estrada para ser
avaliado. Beberrão, barulhento, "nervoso" e sem nenhuma
identificação com a causa ecológica, o cabriolet da Ford até recebeu um
ou outro olhar desaprovador. Mas os olhares "verdes" de
inveja eram infinitamente mais numerosos.
Pisar fundo no acelerador de um Mustang conversível é uma
experiência sensorial bastante rica. Simultaneamente, o vento e o
barulho inconfundível do motorzão V8 invadem o habitáculo. Ao mesmo
tempo, confome o carro acelera mais, dá para perceber as costas se
afundando no banco de couro, o que reforça a sensação de interatividade.
O volante, também forrado de couro, é de ótima empunhadura e transmite
com precisão os comandos do motorista às rodas. Pena que o câmbio
automático opcional do modelo testado, sem o recurso de acionamento
manual das marchas, limite um pouco as possibilidades. De qualquer
forma, é hora de deixar os 300 "poneizinhos selvagens" do
motor desembestarem à vontade pelo asfalto afora. Como a velocidade
máxima local normalmente é de 65 mph - algo perto de 105 km/h -, só a
lembrança das pesadas multas em dólares para eventuais excessos funciona
como um implacável limitador de velocidade.
Nas retas, o Mustang se mostra confiável e demora a mostrar sinais
de flutuação. Nas curvas, o conjunto suspensivo bem equilibrado dá conta
do recado, sem que o controle de tração se faça sentir necessário. Já os
freios a disco nas quatro rodas contam com o reforço do ABS na hora de
parar o carro - algo mais que recomendável para modelos que ultrapassam
os 200 km/h. O resultado é um cabriolet arisco, onde o motorista se
sente no comando do carro, sem tanta "anestesia" tecnológica que, muitas vezes, tira a
graça de dirigir alguns esportivos.
Ao fim dos quatro dias do teste, um amigo brasileiro, que há oito
anos mora em Los Angeles, se ofereceu para devolver o vistoso cabriolet
amarelo na concessionária Ford quando voltasse do trabalho, que ficava
perto. Obviamente o Mustang despertou olhares de admiração e até
cumprimentos dos colegas. No dia seguinte, ele voltou ao trabalho com
seu carro habitual, um utilitário esportivo bem lugar-comum nas ruas
californianas. Logo foi interpelado por uma linda colega, que jamais
havia dirigido uma única palavra a ele em oito anos de convivência
profissional. "Where is the Mustang?", questionou a
louraça. Depois das explicações sem graça sobre o destino do esportivo,
o brasileiro saiu com a certeza de que a insinuante colega nunca mais
irá lhe dirigir a palavra novamente. Pelo menos enquanto ele não arrumar
um Mustang para chamar de seu.

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